Let’s go surfin’ now – Outubro/18

 

Let’s go surfin’ now
Everybody’s learning how
Come on and safari with me

 

Nossa onda chegou.

Enquanto a euforia toma o mercado, damos um passo para atrás e olhamos com calma nossos ativos.

A assimetria era claramente vantajosa. Pouco a perder e muito a ganhar. Simplesmente entramos quando tudo estava (muito) barato. E assim nos posicionamos ao longo do tempo para exatamente este momento.

É importante reforçar que em retrospecto os pontos sempre se conectam, e assim é possível criar uma narrativa. Mas só conseguimos nos movimentar olhando para o incerto, à frente. Logo, muito pouco está sob controle do investidor.

Escolhemos onde e quando colocar nossas pranchas na água. Não controlamos o oceano, nem criamos ondas. Nossa clarividência (e a de qualquer um, vale reforçar) é inexistente.

Enquanto locais são tomados por otimismo, estrangeiros já surfaram suas ondas e olham com crescente apreensão ao mercado de renda variável mundial. Lá fora os ativos parecem estar um pouco caros. E ajustes lá impactam nossos ativos aqui.

O mercado é fundamentalmente humano e inevitavelmente movimentos de alta ou baixa incorrem em excesso. Apesar de todos os modelos matemáticos e algoritmos, movimentos de euforia e depressão são sempre em excesso.

 

 

Quando o consenso era de baixa, procuramos entender o que poderia causar a alta. Agora que temos o consenso de alta, vamos procurar razões para pressupor um movimento de baixa. Para continuarmos a ganhar do ibovespa precisamos ser permanentes contrarians.

Não que seja fácil. Como venho insistindo, Brasil está tão barato e os lucros das empresas tão deprimidos em relação a seus históricos, que nossa margem de segurança ainda é alta.

Como futurologia é uma área que não nos pertence, nosso foco é apenas em fundamentos. Lucros e geração de caixa futuros (ROE, ROIC e Dívida Líquida/EBITDA). E a decisão se tomamos posição ou não é com base no preço que estamos pagando (Earning Yield).

Compramos o que é bom e está barato. O resto é ruído.

 

Performance acumulada dos ativos em carteira

 

Em outubro, Alfa avança 20,26%, versus 10,19% Ibovespa e 0,54% CDI.

As empresas estatais foram as mais beneficiada nesse primeiro momento, com a eliminação dos riscos eleitorais.

No relatório de maio detalhamos nosso movimento de alocação em direção a Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4). Naquele momento, a incerteza era máxima e seus preços despencaram. Aproveitamos o movimento excessivamente pessimista e enchemos o carrinho.

A estratégia foi bem sucedida. Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4) acumulam alta de 65,56% e 52,32% respectivamente. E ainda se encontram descontadas em relação a seus pares. Seguimos atentos para movimentos de euforia excessiva.

Num primeiro momento o fluxo de investidores sempre se concentra em empresas blue chips. São cases mais conhecidos, com máxima liquidez. Assim, elas são as primeiras a atingirem seus valores justos.

A segunda onda, caso as condições econômicas permaneçam favoráveis, concentra-se em mid e small caps. É a nossa ponta direita da carteira. Empresas dependentes do PIB como Portobello (PTBL3), Schulz (SHUL4), Lopes Imobiliária (LPBS3), Fras-le (FRAS3) e Springs do Brasil (SGPS3).

Vemos muitas oportunidades em empresas voltadas a consumo interno, e aumentaremos alocação gradualmente.

Dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de geração de empregos reforçam que atingimos o ponto de inflexão de crescimento interno. Mais investimentos geraram mais empregos, que geram mais consumo, que geram mais EBIT e mais investimentos.

 

Empregos registrados em carteira – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Fonte: Bloomberg

 

Podemos estar iniciando um longo ciclo virtuoso.

Seguimos com nossas pranchas na água, sempre atentos ao oceano.

 

 

Marcelo Przedzmirski

Marcelo Przedzmirski investe no mercado financeiro há mais de 10 anos e é Gestor do Fundo de Investimentos Alfa Capital. MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela FGV e MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais, também pela FGV.