Zen e a Arte de Não Fazer Nada – Novembro/18

 

Existe um segredo que a maioria dos investidores não conhece e que as corretoras jamais vão contar a você.

 

A maior parte dos investidores perde consistentemente por operar demais.

 

Esse fenômeno foi comprovado no estudo “Trading Is Hazardous to Your Wealth” realizado por Terry Odean, professor de finanças da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Odean analisou o histórico de trades de milhares de indivíduos durante um período de 7 anos.

A lógica de um investidor vender sua ação para comprar outra é porque acredita que a nova deva performar melhor do que a anterior. Simples, certo?

O estudo acompanhou a performance do ativo vendido e do novo ativo comprado, ao longo dos anos.

E os resultados foram surpreendentes.

Em média, as ações que foram vendidas performaram melhor que as novas ações, por uma margem de 3,3 pontos percentuais ao ano. Além das perdas com custo de operação do trade.

Algumas pessoas ficaram acima dessa média, outras muito abaixo, mas a grande maioria dos investidores teria retornos muito melhores simplesmente não fazendo nada.

Odean e seu colega pesquisador Brad Barber comprovaram ainda, que na média, os investidores mais ativos tiveram os piores resultados, enquanto os passivos tiveram os maiores ganhos.

E em outro estudo, “Boys Will Be Boys,” descobriram ainda que os homens negociam ativos com muita maior frequência e agressividade que mulheres. E como resultado, a performance dos investimentos das mulheres foi superior aos dos homens.

Aprofundando a pesquisa, Barber e Odean foram descobrir a natureza desses erros.

O investidor deseja embolsar seu lucro. Assim, vendem seus vencedores, ações que já subiram, e mantém em carteira os perdedores, na esperança de que se recuperem.

Mas no curto prazo, vencedores tendem a se manter vencedores. Assim os investidores vendem as ações erradas. E compram ações erradas. A maioria das trocas foi motivada por notícias. Acompanhando o fluxo especulativo, compram más empresas.

O investidor profissional é mais seletivo à esse tipo de estímulo. Muitas das notícias são apenas ruído e não devem pautar suas atitudes.

Assim, na maioria das vezes, é necessário simplesmente não fazer nada, e deixar nossos vencedores vencerem.

 

Performance acumulada dos ativos em carteira

 

Em outubro, Alfa avança 2,56%, Ibovespa 2,38% e 0,49% CDI.

Banco do Brasil BBAS3 é a empresa com maior valorização em nossa carteira, acumulando 78,72% desde que abrimos posição. Apesar disso, ainda não se encontra em seu valor justo, apresentando desconto de aproximadamente 30% sobre seus pares. A gestão continua comprometida em entregar melhoras de lucratividade, assim mantemos esse vencedor em carteira.

Sanepar SAPR11 avançou rapidamente após a definição das eleições e subiu após declarações do governador eleito Ratinho Júnior de manter as decisões tarifárias vigentes. Com sua geração de caixa futura preservada, vemos que a ação ainda está muito descontada. Aumentaremos posição.

Petrobras PETR4 recuou em novembro com a queda do petróleo. Ainda que isso impacte seu EBIT futuro, a empresa terá aumento de lucratividade através da redução de suas dívidas, via desinvestimentos já confirmados. Seguimos inalterados.

Em dezembro o Alfa inicia processo de migração para a plataforma da XP Investimentos para abertura a investidores, e isso nos obrigará a desfazer a carteira para refazê-la na casa nova. O processo de transição deve ser concluído em uma semana, durante esse intervalo ficaremos de fora do mercado.

Seguimos para o fechamento do ano com ganhos expressivos. Por ora, nada mudando, nada fazemos.

 

Marcelo Przedzmirski

Marcelo Przedzmirski é gestor do fundo de ações Alfa Capital e investe no mercado financeiro há mais de 10 anos. MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela FGV e MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais, também pela FGV.