Buy When There’s Blood in the Streets – Maio/18

 

A frase é do Barão Rothschild, nobre britânico do século 18.

Acredita-se que sua frase completa seja “compre quando houver sangue nas ruas, mesmo que o sangue seja seu.

Quanto pior as coisas parecerem nos mercados, maiores são as oportunidades. Rothschild fez fortuna comprando no pânico que seguiu à Batalha de Waterloo contra Napoleão.

A melhor estratégia de longo prazo é essa: comprar boas empresas, a bons preços.

A maioria das pessoas quer somente vencedores em seus porfolios, mas como Warren Buffet alerta, “paga-se caro no mercado de ações por um consenso positivo.” Em outras palavras, quando houver consenso, não há mais oportunidade: a ação fica cara.

A greve dos caminhoneiros iniciou um efeito dominó de pânico nos mercados. A paralisação da economia fez a projeção do PIB do ano recuar ainda mais. A pressão do governo sobre Petrobras forçou a renúncia do CEO Pedro Parente. O aumento de juros no mercado americano aliado à turbulência local afastou o investidor estrangeiro e pressionou o câmbio. Maio foi o mês da tempestade perfeita.

Performance acumulada dos ativos em carteira

 

Alfa Capital recuou -5,66%, versus Ibovespa -10,87% e CDI 0,52%.

Não temos controle sobre o preço de venda: ele é dado pelo mercado. Logo, só temos controle do nosso preço de entrada. E precisamos pagar o menor preço possível.

Assim, é importante perceber que há maior margem de segurança nos preços de hoje do que durante o topo do Ibovespa, há algumas semanas. Em meio à irracionalidade típica de movimentos como os de agora, surgem distorções de preço que podemos aproveitar.

E aproveitando essas distorções, fizemos o primeiro rebalanceamento de nossa carteira. Encerramos posições em Tenda (TEND3), Rumo (RAIL3) e Gerdau (GGBR4), onde tínhamos acumulado lucro expressivo. O capital foi realocado em Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Portobello (PTBL3) e uma nova posição defensiva em puts de BOVA11. O restante mantemos como caixa.

Entendo que essas empresas foram excessivamente penalizadas no selloff, com desvalorização de mercado sem correlação proporcional com seus resultados operacionais futuros.

Em última instância, é isso que realmente importa: a capacidade das empresas entregarem resultados (lucro) no futuro. Todo o resto é ruído.

Seguimos acompanhando os balanços de nossas empresas e buscando oportunidades nos movimentos emocionais do mercado.

 

Marcelo Przedzmirski

Marcelo Przedzmirski investe no mercado financeiro há mais de 10 anos e é Gestor do Fundo de Investimentos Alfa Capital. MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela FGV e MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais, também pela FGV.