Eye of the Tiger – Julho/18

 

But it ain’t about how hard you hit. It’s about how hard you can get hit and keep moving forward. How much you can take and keep moving forward. That’s how winning is done!

 

Ao contrário do que o cinema apresenta, investir em ações não é se tornar milionário da noite para o dia.

É aguentar pancada atrás de pancada, com oscilações que desafiam suas convicções.

Por essa razão, investir em ações não é — e talvez nunca seja — uma atividade muito popular no Brasil. Apenas 1% da população investe em ações, versus 54% da população americana, segundo dados da B3.

Investir requer cérebro e estômago. Razão e emoção. E somos todos perfeitamente racionais no momento de montagem da carteira. Mas em momentos de pânico nos mercados, com quedas bruscas, podemos ser tomados pela aversão à perdas e agir impulsivamente.

Nada dói mais do que uma rentabilidade negativa. É o seu dinheiro, seu suor, escorrendo por um ralo fora do seu controle. A reação normal, porém errada, é encerrar suas posições e aguardar um momento “mais propício”.

Quando esse momento parece chegar, seria hora de entrarmos. Simples, não? Porém, perdemos a arrancada dos mercados, e esperando momentos adequados, vamos acumulando perdas sem nos beneficiar das retomadas.

 

⚠️ Atenção para este complexo gráfico

 

Aqui surge o diferencial: ter estômago.

Assim é preciso aguentar as pancadas, os rounds perdidos, para poder ganharmos por pontos (e não por knockout) ao soar do gongo.

Ações não sobem linearmente. Elas se movimentam em golpes intensos, onde a expectativa converge para a realidade a cada trimestre, com a divulgação dos resultados das empresas. Um bom balanço, de uma empresa com sua operação (máquina de geração de caixa) bem ajustada, é o bastante para um salto de dois dígitos em questão de dias.

 

Performance acumulada dos ativos em carteira

 

Alfa Capital sobe 8,77% em julho, versus 8,88% Ibovespa e 0,52% CDI.

Lembro que nossa performance é líquida, descontados custos de operação (corretagem, IR, etc), enquanto Ibovespa é uma rentabilidade “bruta”.

Nossa estratégia de alocação definida no relatório de maio cumpriu seu objetivo. Com isso apresentamos quase 200% sobre Ibovespa e CDI no acumulado do ano.

Adicionamos duas empresas à carteira. CVC Turismo (CVCB3) e Itaú (ITUB4).

CVC Turismo é líder em seu setor no Brasil, com excelentes resultados mesmo com PIB recessivo. Seu lucro líquido cresce ano a ano. As pessoas não pararam de viajar na crise, e vão viajar ainda mais quando a economia melhorar.

Itaú é a melhor empresa do Brasil. Gestão impecável, atuando em um setor altamente rentável com altas barreiras a novos entrantes. Por essa razão, não é uma ação barata. Custa o quando vale. Assim, aqui não é justo esperar ganhos explosivos de capital. Nossa intenção são ganhos via dividendos e venda coberta, que irão financiar nossos custos operacionais. É uma forma simples e eficiente de aumentar nossa rentabilidade mensal.

Lopes Imobiliária (LPSB3) segue na lanterna da carteira. O setor de imóveis continua desaquecido, mas tem perspectiva positiva no horizonte. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nesta terça-feira (31) elevar para até R$ 1,5 milhão o valor dos imóveis que poderão ser comprados por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As mudanças entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2019. Seguimos acompanhando. A assimetria está interessante: aqui temos mais a ganhar do que a perder. Aumentaremos alocação no momento apropriado.

Sem pressa, desferimos nossos golpes e absorvemos as pancadas. Temos muitos rounds em direção ao cinturão. Por vezes ele parecerá distante, mas sempre estará ao nosso alcance.

Basta ter estômago.

 

Marcelo Przedzmirski

Marcelo Przedzmirski investe no mercado financeiro há mais de 10 anos e é Gestor do Fundo de Investimentos Alfa Capital. MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela FGV e MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais, também pela FGV.