Elevator Action – Abril/18

 

Você já jogou Elevator Action?

É um jogo de fliperama de 1983 que traz conhecimentos valiosíssimos de mercado financeiro.

Nele, o personagem é um espião que precisa se deslocar da cobertura até o subsolo de um edifício infiltrado, para escapar em seu carro de fuga. Mas tem um porém: não existe uma rota direta de elevador até lá. Nosso herói precisa se deslocar entre múltiplos elevadores que por vezes sobem, por vezes descem, encontrando a rota certa enquanto sobrevive a ataques do inimigo.

E essa é uma das melhores metáforas do mercado financeiro que eu já vi.

Nosso objetivo é o mesmo: sair de um ponto para chegar a outro (mais elevado). Mas não há uma rota direta. Alguns elevadores sobem, outros descem. E os riscos e incertezas são constantes.

Felizmente, não estamos fixos na visão de primeira pessoa do personagem: assim como no jogo, podemos ver o quadro geral. Vemos todos os elevadores. Quais estão subindo, quais estão descendo.

Nosso trabalho então é desenhar estratégias que nos levem com maior probabilidade e segurança ao topo. No nosso jogo, elevadores são empresas. Analisando os fundamentos e resultados trimestrais podemos entender o momento que atravessam. É isso que define se o nosso elevador sobe ou desce. Muitos desses movimentos são cíclicos — nada sobe (ou desce) para sempre.

Assim, não é porque uma ação caiu que estamos errados, ou porque subiu, que estamos certos. Um elevador que está lá embaixo pode rapidamente mudar seu movimento e subir. O contrário também é verdadeiro. E eles nunca sobem (ou descem) todos ao mesmo tempo — ou com a mesma intensidade. Posições que caíram sem alteração nos fundamentos são oportunidades para chegarmos ao topo. Foco no big picture.

 

Performance acumulada dos ativos em carteira

 

Alfa Capital se retraiu em abril, com queda de -1,70%, versus ganho de 0,88% de Ibovespa e 0,53% do CDI.

Uma posição agressiva em carteira foi responsável primordialmente pela retração: 1% do patrimônio em calls de PETR4. Petrobras passa por um belo turnaround sob gestão de Pedro Parente. Prejuízos foram revertidos em lucro e há um forte processo de desinvestimento em andamento, que traz caixa para a empresa. E um gatilho de curtíssimo prazo que pode multiplicar nosso um porcento: a Cessão Onerosa, uma multa a receber que trará um grande volume de dinheiro para o caixa da empresa. Nossas calls vão flutuar bruscamente de valor até o vencimento: 21 de maio. Se o cenário não acontecer, perdemos apenas 1% da carteira. A perda é limitada pela nossa compra: nunca perderemos capital adicional.

Essas combinações de assimetria de ganhos com gestão de risco são muito interessantes. Na pior das hipóteses, perdemos apenas dinheiro “grátis”: dinheiro conquistado no mercado. Na melhor das hipóteses, multiplicamos enormemente nosso capital. Por essa razão, é uma estratégia ideal para ser usada quando estivermos ganhando do CDI a uma distância confortável, como é o momento: seguimos com ganho de 323% sobre o acumulado.

Das empresas em carteira, sem grandes novidades. Balanços seguem estáveis e/ou melhorando.

Continuamos posicionados para capturar a retomada da economia. Apesar de (muito) mais lenta do que o previsto, com retração dos investimentos da indústria em abril, a retomada está em andamento. Por isso, seguimos sem mudanças estruturais para a carteira de Maio.

Como posição tática, adicionamos puts de Ibovespa com vencimento em julho. É uma forma eficiente de adicionarmos retorno com algum recuo súbito da bolsa brasileira: estamos nos aproximando do período eleitoral e isso vai trazer volatilidade adicional.

Olho nos elevadores, seguimos em direção a nosso andar.

 

Marcelo Przedzmirski

Marcelo Przedzmirski investe no mercado financeiro há mais de 10 anos e é Gestor do Fundo de Investimentos Alfa Capital. MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela FGV e MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais, também pela FGV.